Vasco fecha venda da SAF por mais de R$ 2 bi com Marcos Lamacchia

Vasco fecha venda da SAF por mais de R$ 2 bi com Marcos Lamacchia
mar, 26 2026 Isadora de Souza

Em uma das maiores operações financeiras já registradas no futebol brasileiro, Vasco da Gama encaminhou acordo definitivo para vender sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ao empresário Marcos Lamacchia, investidor. O valor bate a marca dos R$ 2 bilhões, um número que faz os olhos brilharem até mesmo na Tijuca. As negociações fecharam na semana passada, especificamente entre 24 e 25 de março de 2026, com expectativa de assinatura total antes do fim do ano.

Aqui está o detalhe que ninguém conta nos bastidores: a transação cobre 90% das ações da SAF. Os outros 10%, mantidos pela entidade sucessora 777 Partners (A-CAP), ficam sob responsabilidade do clube e entram no preço total. É um movimento arriscado, mas necessário. O atual presidente vascaíno, Pedrinho, Presidente, antigo ídolo do time azul, disse na terça-feira, em entrevista durante reunião com a CBF em Rio de Janeiro, que a operação é "um passo importante que estamos próximo de dar". A confiança dele transparece, mas o prumo ainda precisa cair no chão.

O perfil do investidor e conexões familiares

Marcos Lamacchia não é um nome estranho aos observadores do mercado esportivo brasileiro. Ele fundou o fundo gerencial Blue Star em 2011 e tem raízes profundas na administração financeira tradicional, tendo sido diretor na Crefisa por anos. Mas existe um vínculo familiar que chama atenção nos corredores do power broker: ele é filho de José Carlos Lamacchia, dono da Crefisa, e genro de Leila Pereira, Presidente da Palmeiras.

Blue Star, empresa de gestão de fundos de Lamacchia, tem mobilizado parte de sua estrutura jurídica para acompanhar cada detalhe. A razão? O receio de reações acaloradas da torcida cruzmaltista, conhecida por sua paixão visceral pelo clube. Lamacchia divide seu tempo entre Aspen, nos Estados Unidos, e São Paulo, onde monitora as finanças. A estratégia é clara: blindar a operação contra qualquer falha técnica antes que o anúncio seja oficializado publicamente.

Burocracia e regulação no jogo do dinheiro

Não se vende SAF hoje sem olhar de lado para a lei. Representantes do grupo de Lamacchia já tocaram campainha na ANRESF — Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol. O objetivo? Alinhar a estrutura empresarial às regras do Sistema de Sustentabilidade Financeiro (SSF).

A regulamentação brasileira evoluiu muito desde 2020, e a ideia de garantir conformidade antecipada evita dores de cabeça futuras. É comum que compras desse porte exigem ajustes finiscos específicos. O conselho administrativo do Vasco aposta que Lamacchia investirá acima do mínimo obrigatório, cobrindo áreas sensíveis como transferências, folha de salários, infraestrutura do Centro de Treinamento (CT) e fluxo de caixa operacional. Até o setor olímpico terá verba fresca via Lei de Incentivo.

Dívidas quicando e resultados no campo

Dívidas quicando e resultados no campo

Enquanto os advogados escrevem os contratos, o clube continua pagando suas contas atrasadas. Vasco da Gama iniciou pagamentos da recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. Até o final de março, espera-se desembolsar cerca de R$ 8 milhões para débitos cíveis e trabalhistas. Na mesma semana em que as negociações com Lamacchia avança (24 a 25 de março), há previsão de pagamento adicional de R$ 10 milhões referente a planos coletivos acumulados na CNRD da CBF.

No total, a soma deve chegar perto dos R$ 20 milhões pagos em dívidas apenas neste início de ano. É um esforço gigantesco para manter o navio flutuando enquanto a venda da SAF é processada. Mas o cenário não é só financeiro. Em campo, o coordenador técnico Renato Gaúcho tem dado mostras de vida. Três vitórias e um empate no último jogo garantiram 11 pontos e a nona colocação no Campeonato Brasileiro. Essa estabilidade esportiva dá oxigênio às negociações fora dos gramados.

Aprovação dos conselhos

Antes de fechar tudo, o negócio passa pelo crivo interno do próprio clube. O Conselho Benemérito, o Deliberativo e outras autoridades precisam assinar. A diretoria garante que não haverá obstáculos, mas a torcida observa. O silêncio é a regra agora. Nem Vasco nem Lamacchia vão soltar declarações públicas até a última minuta ser rubricada. O medo é sempre a especulação descontrolada.

Perguntas Frequentes

A venda da SAF afeta a dívida do Vasco?

Sim, parte do valor da venda será direcionada para honrar compromissos pendentes. O acordo inclui um cronograma específico para quitar dívidas judiciais e operacionais, incluindo os R$ 20 milhões previstos para o primeiro semestre de 2026.

Qual o papel da ANRESF nessa negociação?

A agência regula a sustentabilidade financeira dos clubes. O novo comprador precisa provar que a estrutura da SAF segue as normas do SSF para evitar sanções ou impedimentos legais futuros sobre a posse das ações.

O Vasco vai ter novas diretrizes esportivas?

Há expectativa de novos investimentos em contratações e infraestrutra. Contudo, a comissão técnica liderada por Renato Gaúcho deve manter autonomia operacional, focando inicialmente na manutenção do desempenho positivo observado no Brasileirão.

Quando a operação será oficialmente concluída?

Pedrinho indica a conclusão dentro de 2026. Depende da aprovação dos conselhos internos e do alinhamento regulatório com a agência nacional. Se houver atritos, o prazo pode estender-se até o segundo semestre.

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