Coronavírus: GDF investe R$ 30 milhões em pesquisas e estudos

Convênio com a Universidade de Brasília prevê, por exemplo, a produção de materiais de testagem e mapeamento do contágio da doença na capital.

Coronavírus: GDF investe R$ 30 milhões em pesquisas e estudos

O Governo do Distrito Federal (GDF) vai investir R$ 30 milhões em pesquisas e estudos para contenção da pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19. Por meio de uma parceria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAP) com a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), o governo criou mais um canal de cuidado com a população voltado ao controle da disseminação do vírus no DF. O acordo foi firmado nesta quarta-feira (22) em cerimônia no Palácio do Buriti.

“Somente por meio da pesquisa e da integração tecnológica nós vamos conseguir levar saúde à população do DF na forma que ela merece. No Brasil, durante muitos anos, achou-se que saúde era feita dentro dos hospitais. Não é por aí. Saúde se faz exatamente na ponta, cuidando de quem precisa no dia a dia, evitando, assim, que as pessoas cheguem às portas das UPAs e hospitais”, declarou Ibaneis Rocha. 

O projeto prevê a produção de materiais de testagem e mapeamento do contágio da doença na cidade. Uma iniciativa que vai envolver pesquisadores da UnB. 

O governador Ibaneis Rocha assinou a parceria com a reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão; do secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Gilvam Máximo; do diretor da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), José Alessandro Araújo; e do chefe da Casa Civil, Valdetário Monteiro. O secretário-adjunto de Gestão em Saúde, Eduardo Pojo, também participou do ato. ​

Márcia Abrahão, reitora da UnB: à disposição do GDF | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

“A nossa parceria com o GDF só tem avançado e se estreitado. Gostaria de parabenizá-lo pelas ações [no combate à Covid-19]. Pretendemos cada vez mais estar à disposição do DF e que passe logo esse momento”, declarou a reitora da UnB, Márcia Abrahão.

O acordo atenderá dois programas selecionados na Chamada de Propostas de Projetos e Ações de Pesquisa, Inovação e Extensão para o Combate ao Covid-19, edital publicado pela universidade no final do mês passado. Firmado em 31 de março, essa parceria vai fomentar o desenvolvimento de pesquisas e a criação de produtos e serviços que auxiliarão o DF no enfrentamento do coronavírus. 

Os dois projetos são voltados para o diagnóstico da Covid-19. O primeiro prevê a aquisição de 15 mil testes PCR (padrão no diagnóstico da Covid-19), feitos pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF). 

Também serão adquiridos 10 mil testes rápidos para testagem da população; máquinas extratoras de resultados; e insumos para a realização dos testes, como soluções, luvas, reagentes e indicadores de reações do exame. 

Cada resultado obtido será catalogado e enviado aos órgãos competentes, como a Secretaria de Saúde, para as tomadas de providências. Esses dados irão subsidiar as tomadas de decisões e a formulação de estratégias de ação no controle da doença. 

Os resultados positivos e negativos serão registrados em função da região onde mora cada pessoa testada e, assim, elaborar o mapa de distribuição da circulação do vírus na capital. As amostras coletadas também subsidiarão trabalho de sequenciamento de DNA para o estudo de possíveis mutações do coronavírus.

“Trata-se de mais uma iniciativa sensível do GDF diante desse momento que estamos vivendo em que os investimentos devem estar voltados para a ciência, em que doutores e mestres apliquem seus conhecimentos em prol da saúde”, destaca o secretário de Ciência e Tecnologia, Gilvan Máximo. A previsão, ainda de acordo com ele, é de que os investimentos sinalizados para todas as etapas sejam feitos em mais de 100 projetos. 

“Esse convênio vem em boa hora porque a Secretaria de Saúde está preparada para receber todo esse aparato. Fizemos, na semana passada, a nomeação de mais de 400 técnicos, enfermeiros e médicos exatamente para cuidar da saúde lá na ponta. Agora, esperamos que esse conjunto de tecnologia e estudos seja uma constante no Distrito Federal”, acrescentou Ibaneis Rocha. 

Validação dos testes
Já o segundo projeto inclui diversos fatores. Consiste em montar um painel de amostras para validação dos testes de detecção da Covid-19; realizar estudo de validação de testes rápidos a serem ofertados na rede de diagnóstico do DF; estimar a prevalência da doença na população, na força de trabalho da saúde e nos residentes de áreas vulneráveis do Distrito Federal. Para isso, os pesquisadores preveem a realização de cerca de 20 mil testes e exames.

Também serão realizados estudos para estimar a precisão dos testes rápidos e os de bancada (aquelas experimentações realizadas com equipamentos mais simples) que estão sendo incorporados ao arsenal de medidas voltadas ao controle da Covid-19 para uso no Brasil, assim como aplicá-los a campo para estimar a prevalência de infecção por SARS-CoV2.

Diretor-presidente da FAP-DF, Alessandro Dantas acredita que a atuação articulada entre o governo, a academia e o setor produtivo é uma valiosa estratégia para o fortalecimento da capacidade de ação baseada em ciência, tecnologia e inovação. “Nosso maior objetivo é aplicar recursos para o enfrentamento das grandes demandas do DF, o que não seria diferente em um momento como este que estamos enfrentando.”

Próximas ações
Além de contemplar os projetos selecionados na chamada de propostas publicadas pela UnB no final de março, o aporte de R$ 30 milhões do GDF é sustentado por outros eixos prioritários a serem aplicados em etapas seguintes. Um será o apoio dado a programas voltados para a solução de demandas da Secretaria de Saúde, como o diagnóstico e a saúde das equipes de atendimento. 

O outro fomentará o setor produtivo – como startups, micro e pequenas empresas – que tenha ações e projetos de inovações tecnológicas e produtos voltados ao controle da doença e às consequências da pandemia de coronavírus no Distrito Federal.

* Com informações da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da FAP

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